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COMO A VIDA TRIUNFA?

OFICINA COMUNITÁRIA DE ARTE E MULTIMÍDIA

2 a 11 de abril

Valle Hermoso, Reynosa, Monterrey, Ciudad Victoria, Gómez Farías, Cidade do México e Cherán

De 2 a 11 de abril, artistas da comunidade latino-americana de diversos países do continente apresentarão em 7 cidades do México o espetáculo multimídia “Como a vida triunfa?”, uma proposta que integra quadrinhos, cinema, culturas urbanas, esportes, rap e música tradicional do norte, em uma jornada de humor e celebração.

Num mundo e numa região ameaçados pela intolerância, guerras e destruição ambiental, a proposta explora as riquezas da Cultura Viva Comunitária e é encorajada a inventar uma nova Política Popular Colaborativa para semear um futuro diferente.

A iniciativa, que percorrerá o percurso de Tamaulipas a Michoacán em festivais e eventos, faz parte da Caravana Quetzalcoátl, compartilhada com centenas de grupos em toda a América Latina, desdobrando-se em sua Rota Norte (Valle Hermoso, Reynosa, Monterrey, Ciudad Victoria, Gómez Farías e Cidade do México) e chegando a Cherán na celebração dos aniversários da comunidade.

Um elenco de 20 artistas de diferentes artes e disciplinas partilha este espetáculo, que se conjuga, ao longo do dia, com workshops, um site interativo, materiais didáticos e um guia de trabalho para todos os que queiram continuar a aventura de “Como triunfa a Vida?”

É uma mistura original e divertida entre produção artística, Educação Popular e criação organizacional e social, que coloca toda a sua energia no fortalecimento da Cultura Viva Comunitária e na possibilidade de criação de uma Política Popular Colaborativa na transformação das nossas realidades.

A proposta, gerada por organizações e redes de Cultura Viva Comunitária do México e de outros países latino-americanos, é totalmente autogerida e conta com o apoio do Instituto Latino-Americano para a Promoção da Cultura Viva Comunitária.

Precisamos do seu apoio para podermos cobrir parte dos custos de transporte de todo o elenco, pois é uma atividade apartidária, não governamental e, portanto, a sua realização depende da vontade solidária dos interessados.

Já conseguimos cobrir boa parte dos custos de todo o passeio, mas ainda não concluímos o orçamento total necessário.

Você pode nos enviar sua doação através dos códigos QR publicados abaixo.

A sua contribuição será essencial para resolver aspectos fundamentais desta iniciativa de mobilização cultural, educação popular e organização, tais como:

– A gravação do material audiovisual que será realizada de forma participativa ao longo do itinerário do passeio

– impressão de material gráfico e apoio a atividades educativas

– despesas relacionadas com som, iluminação e palcos nas diferentes comunidades

– o desenvolvimento (produção e edição) de um documentário em espanhol e português baseado na experiência, com depoimentos de todos os participantes

– alimentação, hospedagem e transporte para as lideranças comunitárias que participarão da experiência, além de lanche para crianças, adolescentes e jovens que participarão dos eventos

Estes e outros aspectos da actividade, fundamentais para estabelecer a importância do fortalecimento de uma POLÍTICA POPULAR COLABORATIVA nos territórios, só podem ser realizados com base num compromisso comunitário e partilhado.

Uma iniciativa de mobilização cultural e educação popular

Poderá a contemplação da natureza, a poesia, o futebol de rua, o rap, a banda desenhada, a música tradicional nortenha e o rock coexistirem em palco? Artistas comunitários de toda a América Latina podem compartilhar essa mistura? Poderá daí resultar uma hipótese sobre o poder transformador da Cultura Viva Comunitária?

Além disso, pode essa experiência colectiva encorajar-nos a criar juntos uma POLÍTICA POPULAR COLABORATIVA na transformação do mundo?

“Como a Vida triunfa?” É um trabalho criativo que combina produção artística, Educação Popular e criação organizacional e social, em dispositivos complementares e integrados no lançamento de uma tarefa comum.

Uma busca e uma aventura compartilhada

A realização da Caravana QUETZALCOÁTL e do VI Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária será um momento imbatível para compartilhar buscas, sensibilidades e desafios na construção de nossos grupos e territórios.

O encontro dos diferentes processos, das suas estéticas, das suas histórias e das suas celebrações, dará origem à possibilidade de imaginar um caminho de esperança para aumentar em todas as partes do continente o potencial do humano e do colaborativo, na realização de um presente de justiça e igualdade. Desta forma, as linguagens da Arte, da Cultura e da Comunicação exercidas a partir dos territórios poderão desdobrar as suas estratégias e caminhos possíveis num destino comum e partilhado dos Povos.

No atual cenário político e económico do nosso continente (e do mundo), a violência, o extrativismo e a desigualdade configuram um presente de angústia e destruição que só pode ser evitado através da crescente participação popular, consciente e organizada, na construção de uma outra sociabilidade.

Nesta chave, devem ser lidas as contínuas ameaças e realidades da guerra, a crise ambiental e climática, os números dilacerantes da pobreza e da fome, as formas cada vez mais horríveis de violência de género e contra as nossas infâncias e jovens, a deterioração gradual do vínculo humano e natural.

Uma realidade que pode ser transformada se, e só se, a tríade denúncia, reivindicação e delegação for substituída por uma acção protagonizante, abrangente e estratégica do Povo na construção daquele quadro colaborativo entre a comunidade, o público e o Estado que nos pode oferecer outro horizonte.

Não há esperança nem paz sem um intenso processo de democratização radical dos territórios.

Não há verdadeira Democratização sem ocupação vital popular e cidadã do espaço público comum.

Não há ocupação vital do espaço público sem o papel activo da Cultura Viva Comunitária.

Por isso, os mais de 200 mil processos de Cultura Viva Comunitária existentes no continente tornam-se uma chave fundamental para a construção dos alicerces de uma esperança consciente, quando se trata de uma parte do nosso Povo que explorou criativamente a relação entre o espaço público comum e a consciência colectiva. São 65 milhões de ativistas que realizam periodicamente ações culturais para mais de 400 milhões de pessoas, em ruas, praças, bairros e áreas rurais do nosso território, envolvendo diversos grupos étnicos, cidades, nações, comunidades e gêneros.

Um enorme potencial que está a traçar o seu próprio caminho, na construção de outra Arte, de outra Cultura e de outra Comunicação, para outra Democracia e outra Economia.

Contudo, que pensamento comum é possível entre estas experiências? Qual é o diálogo que devem travar e quando pode ocorrer?

Contemplando a vida juntos

A oficina multimídia “Como a Vida triunfa?” É uma atividade em que, ao mesmo tempo, contemplamos a lógica que orienta os processos vitais, analisamos o seu impulso e desenvolvimento, daí inferimos uma série de conceitos e tentamos levá-los ao campo das práticas e da organização, chegando a ideias como Cultura Viva Comunitária e Política Popular Colaborativa, como noções complementares que podem interagir num caminho de emancipação e humanismo.

Para isso utilizaremos dinâmicas de comunicação, trabalho em grupo, debate e criação artística pessoal e coletiva, interagindo num processo de produção política e cultural no âmbito do Movimento Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária.

Os objetivos da oficina são:

– Promover um espaço de reflexão sobre a lógica de pensamento, prática e organização que possa orientar as experiências populares nos territórios e a sua crescente articulação a nível local, regional e nacional.

– Analisar as implicações das diferentes lógicas existentes nas práticas organizacionais dos territórios (corporativas, competitivas, de prestígio pessoal e colaborativas) para chegar a uma visão abrangente da sua relação com os processos de transformação.

– Explorar coletivamente a relação entre os procedimentos políticos e organizacionais e a dimensão dos laços, dos afetos e das emoções, abordando a importância da Arte, da celebração e da Cultura numa estratégia transformadora e promovendo um processo comum de criação coletiva.

Metodologia

Para a realização da oficina serão combinadas ferramentas lúdicas, o uso de insumos radiofônicos e audiovisuais, trabalhos em grupo e produção artística e comunicacional, incluindo sessões presenciais, em grupo e plenárias.

A Oficina é ainda complementada com material gráfico de apoio (fichas didáticas em linguagem cómica), vídeos educativos e, no âmbito de atividades culturais abertas, um espetáculo musical e cénico.

A proposta inclui o apelo ao início de um processo de produção artística e comunicacional colectiva, no âmbito do Programa “Como a Vida Triunfa?” (Rumo aos Congressos Nacionais de CVC em Abya Yala) realizado pelo Instituto Latino-Americano para a Promoção da Cultura Viva Comunitária, e para isso também será compartilhado o documento “15 propostas ao Movimento Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária”.

Todo o workshop descreve uma jornada através de diferentes questões:

1- Como a Vida se desenrola na realidade?

2- Como se combinam fluxos e estruturas colaborativas e competitivas na Vida?

3- Existe algo do passado que é escondido ou rejeitado pela Vida?

4- Que parte da realidade presente é ocultada ou rejeitada pela Vida?

5- Como a Vida age quando cura?

6- Como a Vida atua diante dos ataques à Vida?

7- De onde a Vida tira força?

8- Quais são as capacidades evidentes da Vida?

9- Como é uma organização popular que imita a Vida?

10- Como é o Povo quando imita a Vida?

MATERIAIS DE CAMPANHA

No dia 1º de abril você poderá contar com o kit completo de materiais de Educação Popular e Mobilização Cultural da campanha “Como a Vida triunfa?” utilizá-los na modalidade que preferir e participar nas diversas atividades que surgirem. Esses materiais são:

– Um vídeo educativo “Como a Vida triunfa? – Política Popular Colaborativa e Cultura Comunitária Viva” e uma diretriz para discussão em grupos

– O videogame “Como a vida triunfa?” para seu grupo e diversão coletiva

– O PPT “Como a Vida triunfa?” para reforçar atividades ou workshops que pretende promover

– O flip book “Como a vida triunfa?” com mais de 60 fichas didáticas em linguagem de quadrinhos para baixar e usar em oficinas ou atividades de treinamento

– O guia de trabalho conceitual “Como a Vida triunfa?”, composto por 10 capítulos de conteúdos e questões para trabalho em grupo.

– O documento “15 propostas ao Movimento Latino-Americano de Cultura Comunitária Viva – Rumo aos Congressos Nacionais da CVC”

O lançamento público destes materiais será feito a partir de Reynosa, México, no âmbito dos eventos da Rota Norte da Caravana Quetzalcoátl, no dia 1 de abril. Estará lá, na fronteira com o imperialismo autoritário, e em defesa de um mundo “no qual cabem muitos mundos”. Continuamos caminhando.

Uma proposta de continuidade continental

Por fim, e a partir das conclusões da atividade, propomos oferecer um caminho de continuidade no vínculo gerado que avança rumo à construção coletiva de uma Ópera Multimídia Latino-Americana “Como triunfa a Vida?” explorar, a partir da realização de um conjunto de ações em espaços públicos, obras, pequenas criações audiovisuais, poéticas, teatrais e gráficas e um possível incontável número de criações comunicacionais em redes sociais e cenários territoriais, a própria engenharia de uma força vital revolucionária capaz de transformar a realidade em favor da comunidade.

Tentaremos articular, com base nesta proposta, processos em diferentes países latino-americanos, fornecendo imagens e símbolos de esperança, dor e desafio, a partir de um roteiro dramático e popular simples e inteligível para ativistas e interlocutores comunitários. A sua fruição poderá assumir a forma de eventos e ações de rua, mas também farão parte de dispositivos virtuais “georreferenciados” que permitem, à distância, outros interlocutores acompanharem o desenvolvimento da experiência em tempo real.

Utilizando curtas-metragens em vídeo e linguagens virtuais, histórias, testemunhos, lendas, opiniões e ideias, canções e poemas, tentaremos estruturar uma construção estética e cultural participativa que possa contribuir para nos oferecer um norte artístico e político comum.

Nosso esboço preliminar visa organizar as produções e contribuições dos coletivos em três grandes “atos”, que nos permitem estruturar uma história comum. Esses três atos seriam:

ATO 1- AS PESSOAS E A VIDA (imagens, ideias e histórias que remetem às ligações entre a comunidade e a energia vital na procura de um futuro melhor e na gestão de dificuldades e desafios)

ATO 2- MEDO (as imagens, ideias e histórias que nos mostram os aspectos angustiantes e destrutivos da realidade, no seu impacto ambiental, emocional, económico e político)

ATO 3- UM NOVO COMEÇO: COMO A VIDA TRIUNFA?  (as imagens, ideias e histórias que nos mostram chaves, propostas, desafios e mistérios que visam criar uma nova sociabilidade possível)

A Ópera Multimídia Latino-Americana “Como a Vida triunfa?”  Procurará ser constituído por produções originais ou já realizadas em diferentes línguas, nomeadamente:

– Canções e produções musicais

– Produções de palco e teatro

– Produções gráficas, em quadrinhos ou imagens estáticas (pinturas, esculturas, murais, fotografia)

– Histórias, textos e poemas (em formato literário)

– Histórias, textos e poemas em formatos de rádio ou áudio (podcast, microfones de rádio, etc.)

– Curtas e produções audiovisuais (ficção ou documentários)

– Jogos de tabuleiro ou virtuais

– Combinações destas linguagens nas modalidades de instalação, performance ou projeções audiovisuais

Como continuar participando?

O ILACVC (Instituto Latino-Americano para a Promoção da Cultura Viva Comunitária), e no âmbito do seu programa “Como triunfa a Vida?”, colocará em funcionamento uma equipa para a coordenação operacional deste projecto nas suas fases de divulgação, recepção e classificação de materiais e desenvolvimento progressivo dos diferentes produtos, dentro de uma metodologia que tentará ser participativa, aberta e permeável às opiniões, sugestões e contribuições de todos os actores envolvidos.

Nesse sentido, cada organização, grupo, grupo ou pessoa pode participar:

a) Desenvolver e criar, com total liberdade e com base nas diretrizes oferecidas, produções audiovisuais, musicais, literárias, gráficas ou radiofônicas, etc., para agregar através de diversos formatos à estrutura geral de “Como triunfa a Vida?” Podem ser obras originais ou existentes, com duração não superior a 10 minutos no caso de obras audiovisuais.

b) Integrar os grupos de trabalho de “edição” com os quais, a partir da recepção de diversos materiais, possam preparar o “roteiro” de uma apresentação geral audiovisual, radiofónica ou social.

c) Colaborar ativamente na divulgação das diferentes “peças” que, ao longo da experiência, vão surgindo e sendo publicadas nos canais disponíveis.

A título de conclusão

A realização do Workshop “Como a Vida Triunfa?” e, posteriormente, a construção participativa da Ópera Multimídia Latino-Americana implica um enorme desafio na tentativa de vincular de forma diferente e transformadora a Arte, o território, as inovações organizacionais no campo comunitário e a busca de uma conceituação transcendente em relação à ação cultural, que esperamos possa ser compartilhada no VII Congresso Latino-Americano de Cultura Comunitária Viva na Colômbia 2026.

Este é um esforço feito num momento crucial do nosso destino continental em relação às características que as nossas democracias deverão ter e ao modelo de Desenvolvimento que será implementado nos nossos territórios.

O destino e o potencial do Movimento Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária também estão criptografados na possibilidade de criar suas próprias ferramentas de gestão da produção simbólica e inseri-las em um projeto político de emancipação, e neste quadro “Como a Vida triunfa?” Será um excesso de calado para incentivar novas e mais ousadas aventuras.

Esperamos contribuir desta forma para os objetivos de intercâmbio, formação, celebração e organização que, desde a sua origem, desafiam as nossas redes e grupos.

QR para colaborar!

COMO A VIDA TRIUNFA?

15 PROPOSIÇÕES PARA O MOVIMENTO LATINO-AMERICANO DE CULTURA VIVA COMUNITÁRIA

1- UMA REALIDADE VIVA

No nosso continente Abya Yala existem mais de 220 mil processos comunitários liderados pelo nosso Povo que aliam Arte, Comunicação e Transformação Social, com uma presença sustentada nos territórios, de carácter solidário, em que a lógica colaborativa subordina a lógica competitiva ou corporativa,. com ações periódicas no espaço público e que contribuem de forma muito importante para a democratização da sociedade, para o fortalecimento da memória e da identidade e para inúmeros valores e conquistas populares. É realizado por cerca de 65 milhões de activistas, educadores e trabalhadores, que levam propostas a mais de 400 milhões de pessoas em todo o continente. Teatro, imagens, murais, feiras de economia popular, ciência, mídia comunitária, esportes, dança, arte de rua… tudo se junta numa dinâmica que busca ser curativa e transformadora.

2- O MOVIMENTO LATINO-AMERICANO DE CULTURA VIVA COMUNITÁRIA

No final da década de 90, um conjunto de redes e organizações latino-americanas ligadas a estes processos tomou consciência desta realidade e do seu potencial político na constituição consciente de uma Cultura que fosse além da lógica competitiva, extrativista e desigual do capitalismo; Houve, nestes diversos processos, o germe de uma Arte diferente, de uma Economia Solidária e de uma Democracia de maior intensidade; Nessa chave, iniciaram um longo caminho de encontros, nos quais cunharam o nome “Cultura Viva Comunitária” para essa realidade potencial. Propuseram (ao longo dos últimos 20 anos) construir um Movimento que pudesse colocar estas experiências em estado de diálogo e articulação quotidiana, sem condicionamentos ideológicos, nem definições a priori, nem limites pré-estabelecidos, com a única premissa de promover a fraternidade. abraço. Fizeram-no com a convicção de que o simples exercício de garantir o encontro consciente destes processos a nível nacional e continental poderia desencadear um processo cidadão criativo, mobilizador e revolucionário, articulado com outras experiências sociais e populares. Rejeitaram tanto a ideia de criação de uma organização corporativa profissional continental de ONGs para diálogo exclusivo com o Estado ou empresas, como a mera invenção de uma nova categoria para as ciências sociais ou de uma franquia para projetos privados, e optaram por aprofundar na articulação de uma experiência que só seria realizável a partir de uma perspectiva colaborativa, em permanente abertura e busca pela diversidade de iniciativas populares nos territórios: o Movimento Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária. Os Congressos Nacionais Abertos (como espaço básico de diálogo nos territórios) e os Congressos Continentais (como espaço de encontro regional de celebração, intercâmbio, formação e organização) seriam a chave para a democratização permanente do processo, o surgimento de verdadeiras referências e um crescente poder transformador.

3- CRISE DE CRESCIMENTO

A realização de cinco Congressos Latino-Americanos da CVC (La Paz, El Salvador, Equador, Argentina e Peru) desde 2013 deu impulso a um processo criativo de grande potência, num diálogo fluido com iniciativas dentro de governos e Estados, com grupos muito diversos e militância, com ricas contribuições do meio acadêmico e das instituições, todos elementos que ajudaram a construir legislações, organizações e políticas públicas para a proteção e fortalecimento de organizações e redes, entre as quais os “Pontos de Cultura” entre outros. O Movimento Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária começou a ser um espaço generoso e diversificado de confluência de projetos populares em todas as dimensões da Cultura. No entanto, o cenário político e social do continente começou a apresentar realidades cada vez mais problemáticas no domínio da pobreza, da violência, dos ajustamentos neoliberais e do autoritarismo de vários tipos, dificultando os processos de crescimento nos territórios (acrescentando-se a outras fragilidades dos nossos grupos) e impedindo a realização de Congressos Nacionais, dispositivo fundamental para a dinâmica democrática do Movimento, o fortalecimento político, a capacidade de mobilização de pessoas e recursos, a resolução de representações e o debate aberto.

4- O DESAFIO DE REINVENTAR-NOS

Sem processos de democratização nos territórios e presença em todas as regiões, perdendo assim força no norte mobilizador da nossa iniciativa, a discussão política e organizacional do Movimento Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária começou a se tornar uma disputa de “representações”, violentamente competitivas, que tentaram ser resolvidas com formas, resoluções com implicações complicadas tomadas em áreas com pouca presença de processos nacionais, procedimentos corporativos virtuais ou discussões aparentemente conceituais, mas que no final escondem uma luta pelo Poder estático do “domínio do franquia”. Assim, as “guerras” de documentos, de sistematizações ou de recursos supostamente “metodológicos” são um exemplo óbvio de impotência face à crise política que atravessamos. Para além das decisões tomadas neste ou naquele momento, é fundamental não perder de vista o “coração” ético e vital do nosso projeto, que deve basear-se sempre na mobilização permanente da Cultura e na predisposição para a construção aberta e colaborativa. que desafia a todos nós.

5- NA CARAVANA

Com a antiga premissa do “Crescer a partir do pé” de Zitarrosa e com uma predisposição à diversidade e à escuta, é hora de um autêntico relançamento do Movimento Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária em UNIDADE autêntica e diversa. Somos desafiados a dar um novo impulso à nossa presença continental em todos os territórios, aceitando a morfologia organizacional que mostra vitalidade em cada lugar e abrindo-nos à possível criação de um pensamento político e cultural que nos dê uma vida comunitária latino-americana aberta e aberta. Movimento Cultural. Esperançoso para crianças, jovens e adultos em Abya Yala. Caravanas, Congressos, reuniões e redes devem ter uma palavra a dizer no caminho que propomos. Nesta chave, acreditamos que é essencial enfrentarmos alguns desafios juntos.

6- AUTONOMIA

Autonomia irrestrita para que redes, organizações e coletivos CVC de cada país constituam seus grupos de trabalho e organizacionais, em relação à inserção institucional e social de seus membros, respeitando apenas critérios históricos de ética política do nosso Movimento CVC Latino-Americano e seus objetivos de fortalecimento e defender os processos da CVC e seus trabalhadores nos territórios. Não é bom restringir um Movimento que procura a sua identidade e a sua força.

7- CONGRESSOS NACIONAIS

Convocação urgente de Congressos Nacionais de Cultura Viva Comunitária, com base em critérios básicos de massividade, abrangência geográfica de cada um e representatividade (presença de todas as regiões do país e participação de organizações comprometidas com o trabalho territorial e sede ou presença em cada local). Acreditamos que se conseguirmos convocar, em média, pelo menos uma organização para cada 200 mil habitantes de cada país, teremos um órgão para nos promovermos (chegaríamos a um Movimento CVC Latino-Americano composto por 3.300 grupos). Este gráfico pode considerar ter uma influência favorável, pelo menos inicialmente, de 0,1% da população nacional de cada país, o que não é pequeno. Poderemos assim reconhecer fraterna e definitivamente a representação que emergiu destes Congressos como um Movimento Comunitário de Cultura Viva de cada país e, ao mesmo tempo, ter um coletivo continental mais vigoroso.

8- REVISÃO E REFORMULAÇÃO

No âmbito das ações propostas, é necessário promover um processo de revisão e reformulação coletiva dos papéis e funções de todos os órgãos de participação continentais (EAC, GI, Círculos de Visão e Palavra, ILACVC, etc.). Cada país levará suas propostas ao VII Congresso Latino-Americano de CVC na Colômbia 2026 para serem debatidas de forma colaborativa.

9- DESEMBARQUE ATÉ LIMPAR

Não é conveniente, acreditamos, dotar qualquer área latino-americana de papéis ou funções de natureza “gerencial” até que uma estratégia global seja amplamente acordada e um processo de mobilização aberto e participativo seja realizado a partir dos territórios com base nessas ações.

10- COLÔMBIA 2026

O VII Congresso Latino-Americano da CVC será realizado na Colômbia. Nesta chave, acreditamos que o Movimento Nacional de Cultura Viva Comunitária naquele país deveria se encarregar de convocar o VII Congresso Latino-Americano de CVC na Colômbia com base nestes desafios, tarefas e prioridades, e deveria ter o total apoio dos países para a concepção da sua proposta metodológica e logística, podendo necessitar da ajuda de organizações mobilizadas em todo o continente quando o decidir, para que cada país possa dedicar-se com todas as suas energias à prioridade da construção nos seus territórios.

11- LIBERDADE DE AÇÃO

Todos os países e redes poderão assim desenvolver processos de organização, convocação e difusão novos ou já instituídos que fortaleçam o Movimento Latino-Americano de CVC nos países e em nível regional com total autonomia e na busca por uma transformação integral de nossas realidades, com igualdade e cuidado com a nossa mãe terra e os bens comuns.

12- REPRESENTAÇÃO E EQUIPE

A representação de cada país no VII Congresso Latino-Americano de CVC na Colômbia será definida com autonomia irrestrita em cada país, e sua participação na reunião deverá ser gerida de forma colaborativa e compartilhada, e baseada em um diálogo fluido com os países latinos. Movimento Americano de CVC naquele país.

13- ARTICULACION CONTINENTAL

Este processo de mobilização e organização continental tentará articular-se com todas as expressões populares que propõem nos países uma transformação radical das práticas políticas, económicas e culturais, que tendem para um quadro institucional de Democracia participativa e deliberativa, uma Democracia Social e Popular Economia e um modelo de desenvolvimento que rejeite o extrativismo e a desigualdade.

14- UM ABRAÇO CONTINENTAL

Tendo em conta os enormes danos causados ​​no domínio dos afectos, dos vínculos e na saúde mental e espiritual do nosso Povo e das nossas organizações pela lógica competitiva e corporativa do capitalismo, pela “Lei do mais forte”, pelas exigências das tecnocracias e pelos mandatos das hierarquias “profissionais”, este esforço mobilizador será desenvolvido multiplicando as áreas de celebração de massa, diversidade de abordagens e lógicas, empatia, encontro com quem pensa diferente, busca de dinâmicas colaborativas abertas, passeios territoriais, “Caravanas” e uma alegria fundadora explícita, embora este processo implique ir um pouco mais devagar na constituição de áreas orgânicas e de suposta “representação”.

15- COMO A VIDA TRIUNFA?

Essa “viagem à semente” que Iván Nogales nos propôs não é apenas o regresso ao ancestral como quem regressa ao passado e o valoriza; É antes o caminho da busca e da criação, com enorme projeção no presente e no futuro, ali na origem de todas as forças, na própria Vida, das ideias que nos permitem triunfar diante da morte e da dominação, multiplicando a cura , alegria e encontro. A criação de uma POLÍTICA POPULAR COLABORATIVA e não competitiva é o nosso único e mais importante reservatório de energia para enfrentar e transcender este capitalismo violento com o qual os poderosos procuram condenar o Povo e a Mãe Terra. Nosso continente tem um destino de esperança e o Movimento Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária tem a responsabilidade de tentar alcançálo.